H? um oceano que separa o presente e o passado da velha Chica. Muito embora tenha vivido exatas nove d?cadas, a senhora de olhos azuis ainda se recorda, mesmo que vagamente, do semblante da sua misteriosa m?e. No calor escaldante do sert?o da Bahia, ningu?m nunca soube muito bem de onde veio aquela mo?a de express?o triste. S? desconfiavam que a estrangeira teria migrado de longe - l? da It?lia, Alemanha ou Fran?a - mas, ningu?m nunca chegou a entender bem o que ela dizia para saber ao certo. O passado sempre foi uma inc?gnita para Chica e foram tantas as noites perdidas refletindo sobre as suas desilus?es, perdas, lutas e conquistas. O amor pela leitura ajudava a atenuar a crueldade impelida pela ins?nia.?
J? Z? Maur?cio, neto de Chica - tamb?m tratado pela av? por Neno -, ? um homem que foge do passado. O jovem, que em certa altura experimentou o gosto amb?guo da riqueza, persevera em uma incans?vel busca por um futuro melhor - pela t?o sonhada liberdade. Ap?s anos de aus?ncia, o seu caminho cruza novamente o da sua querida av?, justamente em um momento de tamanha vulnerabilidade para ambos. Por ironia do destino, Z? Maur?cio faz Chica deparar de forma avassaladora com o long?nquo passado da sua pr?pria fam?lia - desde os tempos em que ela fora adotada por abastados latifundi?rios, ap?s a tr?gica morte da sua m?e. L?grimas rolam dos olhos azuis da velha Chica ao lembrar do seu in?cio servil, t?o cheio de d?vidas e decep??es.
Ventos para Areia Branca ? uma saga que trata de la?os de fam?lia ainda atados nos ?rduos tempos das grandes migra??es europ?ias do fim do S?culo XIX. Atrav?s das narrativas de av? e neto, duas gera??es se encontram e tentam desvendar os mist?rios das suas origens - europeias e ind?genas - t?o sofridas e comuns ? grande maioria da popula??o brasileira. Ao fim desta leitura, ficar? claro que o oceano que nos separa n?o ? t?o extenso assim.